Angola envia soldados ao Congo


Pedido de ajuda foi feito por governo local, que combate rebeldes apoiados por Ruanda em região rica em minérios
Envolvimento externo reproduz alinhamentos da guerra civil entre 1998 e 2002, quando mais de 5 milhões morreram no país

O governo de Angola anunciou ontem que está mobilizando soldados para enviar à vizinha República Democrática do Congo, o que agrava os temores de que os combates que grassam no país centro-africano venham a envolver outras nações da região.
Georges Chicoty, ministro assistente do Exterior angolano, não informou o número de soldados que serão enviados ao Congo nem que missão terão, e não estava claro se agirão como forças de paz ou em apoio ao governo em sua luta contra os rebeldes comandados pelo antigo general Laurent Nkunda.
Angola já enviou soldados ao Congo para apoiar o governo durante a guerra civil de 1998 a 2002, quando grupos rebeldes da etnia tutsi tinham apoio de Ruanda e de Uganda. O conflito de quatro anos deixou estimados 5,4 milhões de mortos, a maioria por fome e doenças.
Agora, de novo, Ruanda apóia o tutsi Nkunda, que rompeu um cessar-fogo acertado no início do ano na região de Kivu do Norte, um dos centros de produção mineral no Congo.
O Congo solicitou assistência militar a Angola em 29 de outubro, enquanto Nkunda avançava em direção à capital provincial, Goma. Repórteres já viram soldados lusófonos e usando insígnias com o mapa de Angola em postos rodoviários.
Os combates no Congo se intensificaram em agosto e desde então deslocaram pelo menos 250 mil pessoas, a despeito da presença da maior força de paz da ONU no mundo -17 mil homens. Funcionários da ONU afirmam que tanto os rebeldes quanto as tropas do governo cometeram crimes contra civis.
Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e o embaixador do Congo anunciaram na terça-feira que existe acordo quanto ao reforço do contingente da ONU, que não conseguiu deter os combates ou impedir o avanço dos rebeldes.
Uma rara batalha noturna irrompeu na madrugada de anteontem em Kibati, ao norte de Goma, onde pelo menos 75 mil pessoas procuraram refúgio. “A tensão é muito grande, porque há muitas pessoas lá, e a cidade fica tão perto de Goma”, disse o porta-voz das forças da ONU.
Ele afirmou que até 800 soldados do Exército congolês cometeram crimes em sua retirada ante o avanço rebelde. Ele informou que existem denúncias de estupros de civis e que houve saques a aldeias.

Fonte: Folha de São Paulo, 13 nov 2008.

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