Mdou Moctar: vozes tuaregues

Mdou Moctar (nascido Mahamadou Souleymane em 1986), é um compositor e músico tuaregue residente em Agadez, Níger, e é um dos primeiros músicos a realizar adaptações eletrônicas modernas da música tuaregue. Sua fama começou a partir de comerciais para uma companhia de telefones celulares. Desde 2008, lançou cinco álbuns de estúdio, entre os quais se destaca “Ilana: The Creator” (2019) e o aclamado e mais recente “Afrique Victime“, lançado este ano pela Matador Records.
Ele canta em tuaregue, também conhecido como tamaxeque ou tamajaque, termo que abrange um grupo de dialetos e línguas berberes aparentados e mutuamente inteligíveis falados pelos berberes tuaregues em Mali, Níger, Argélia, Líbia e Burquina Fasso.

Suas letras versam sobre o Islã, a educação, o amor e a paz. Ele toca uma guitarra Fender Stratocaster para canhotos e seu estilo de tocar, apesar de utilizar referências de diversos estilos musicais, é notadamente calcado no takamba e no assouf, gêneros populares em sua região natal.

Não é só kuduro: “Death Metal Angola” [documentário]

Musicalmente, tudo que Angola parece nos oferecer, aparentemente, é o kuduro. Ao menos é esse o cenário pintado pela mídia internacional nos últimos anos. Quem conhece a música angolana sabe que há muita estrela nessa constelação. Já faz um par de anos que o rap angolano, por exemplo, vem ganhando alguma projeção. Masta, NGA, Mister K, Cage 1 e Abdiel são nomes que já ecoaram em terras brasileiras com alguma frequência. O Buraka Som Sistema [formado por portugueses e angolanos], cuja sonoridade eles mesmos apelidaram de “kuduro progressivo”, flerta com o dub, o ragga e o próprio hip-hop, dando uma cara mais “universal” ao frenético ritmo eletrônico angolano. É certo que o BSS já disfruta do que se pode chamar de fama depois de sua passagem pelo Rock in Rio 2011 e Abril Pro Rock 2012.

Entretanto, como em qualquer outro país onde são escassos os recursos a grandes estúdios de gravação, a instrumentos musicais acessíveis e a meios de divulgação nos canais convencionais, há uma comunidade que, através da colaboração mútua, do faça-você-mesmo e do desejo de se expressar através da música, mantém acesa a chama. Hardcore, metal, rock e todas as subdivisões desses gêneros: há tudo isso em Angola, e é disso que trata “Death Metal Angola“, documentário de Jeremy Xido sobre a cena underground do rock angolano.
O filme estreou em dezembro no Dubai International Film Festival e será exibido no Rotterdam Film Festival nos dias 28 e 29 de janeiro. Esperemos que logo possamos vê-lo nas telonas por aqui também. Abaixo disponibilizamos o trailer oficial e uma playlist com a trilha sonora oficial.

 

Aline Frazão – Clave Bantu

A cantora  Aline Frazão nasceu e cresceu em Luanda e vive atualmente em Santiago de Compostela, na Galiza. Pisou o palco pela primeira vez com 9 anos e desde essa altura teve a oportunidade de cantar vários estilos de música como fado, MPB, Jazz e música tradicional de Angola e Cabo-Verde. Com 15 anos começou a escrever as primeiras canções, tocando a guitarra com influências que vinham do Brasil, em especial da bossa nova.

Em seu  primeiro álbum intitulado “Clave Bantu”,  a cantora estabeleceu uma parceria com os escritores José Eduardo Agualusa e Ondjaki.

“Clave Bantu” é uma produção independente que reúne um seleção de onze temas originais compostos pela angolana durante esses últimos quatro anos de viagens. Inclui ainda duas parcerias inéditas com dois escritores angolanos, José Eduardo Agualusa e Ondjaki. O disco, com arranjos de Aline e Jose Manuel Díaz, conta ainda com as participações especiais do multi-instrumentista brasileiro Sérgio Tannus e do trombonista português Rúben da Luz.

O disco foi gravado em setembro de 2011 e algumas músicas podem ser apreciadas no myspace da cantora.

Fonte: http://www.alinefrazao.com/

Aires Almeida Santos – Meu Amor da Rua Onze

Imbondeiro at sunset

[Imbondeiro, árvore símbolo de Angola; foto de Miguel Costa]

Aires Almeida Santos nasceu em Bié,  Angola, em 1921, falecendo em 1992 na cidade de Benguela. Recebeu instrução primária em Benguela e secundária em Nova Lisboa e Sá de Bandeira. Esteve preso por atividades ligadas ao MPLA. Fixou-se em Luanda em 1961, trabalhando como contador de algumas empresas. Em 1970 ingressou no jornalismo. Foi co-fundador da União dos Escritores Angolanos – UEA.  Sua obra poética é constituída de dois únicos livros:  Meu Amor da Rua Onze (Lisboa: Edições 70, 1987) e  A Casa (Lubango: edição do autor, 1987). Seu poema mais conhecido, publicado pela primeira vez em Mákua – Antologia Poética, vol 3 (Sá da Bandeira: Publicações Imbondeiro, 1963), é justamente o que dá título ao seu primeiro livro. Meu Amor da Rua Onze não é, como muito da produção poética do período, nenhuma peça de vanguarda; tampouco pertence ao rol dos textos angolanos que buscavam, de alguma forma, denunciar o colonialismo ou tratar das injustiças do regime. É um poema de amor, simples e nostálgico, mas que tem como principal característica a musicalidade. Pois foi justamente este o elemento que motivou este post. Em uma busca aleatória por poemas musicados na web, deparei-me com esta versão em ritmo de semba feita pelos angolanos da Banda Maravilha. O vídeo contém legendas com a letra em Português e Inglês.

Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nós demos.
Meu amor da Rua Onze,

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.
Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu´inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou
Nosso romance
Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer
E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
de escultura
Cor de bronze
Meu amor da Rua Onze.

Roland Hayes – Canções Folk Afro-Americanas

Após 12 anos de convivência com universitários africanos em Paris e Londres, oriundos principalmente da Costa Oeste africana, o americano Roland Hayes (1887-1977) utilizou seu gosto pela música folk e seu desejo de compartilhar algumas das canções que sonorizaram sua vida e principalmente sua infância e que, graças aos amigos africanos que fez na Europa, resgatou dos baús da memória.
O material que coletou foi compilado e arranjado por ele mesmo no livro “My Songs; Aframerican Religious Folk Songs Arranged and Interpreted“, publicado em 1948 pela Little, Brown and Company (que desde 2006 pertence à editora francesa Hachette Livre). Como os direitos autorais da publicação original não foram renovados, os 3 volumes podem ser baixados gratuitamente no Art Song Central, um portal especializado em partituras gratuitas de músicas para grupos vocais.
O livro está dividido em 3 painéis:

  1. Eventos do Antigo Testamento [1,77 Mb]
  2. Abstrações de Ensinamentos do Antigo e Novo Testamentos [1,82 Mb]
  3. A vida de Cristo [1,95 Mb]

Basta clicar nos links para baixar o arquivo em formato PDF.

Fonte: http://artsongcentral.com/2008/my-songs-by-roland-hayes/

Projeto Tsikaya- músicos do interior de Angola

Do twitter do Ondjaki, escritor angolano, recebi a dica do projeto Tsikaya. Trata-se de um mapeamento dos músicos do interior de Angola. A página possui informações sobre os músicos, comentários sobre os instrumentos utilizados, áudio, vídeos e imagens belíssimas dos músicos e seus instrumentos.

Um verdadeiro deleite.