Ali Jimale Ahmed – Espíritos atmosféricos (poema)

14 11 2011

O somaliano Ali Jimale Ahmed (em Somali: Cali Jimaale Axmed) é poeta, ensaísta, contista e professor universitário. Atualmente leciona Literatura Comparada no no Queens College e na City University of New York.

O poema abaixo foi publicado na revista digital Warscapes e é aqui livremente traduzido por Sandro Brincher.

Espíritos atmosféricos

Na minha terra natal, os mortos,
De suas covas,
Ainda exigem vingança.
Os hospedeiros dos mortos

São os mortos-vivos,
Que seguem atravesando dois mundos.
Podem os restos secos de uma ideia submersa

Reformar um conto mutilado pelo tempo
E reduzido a cinzas?

Deixem as brasas contar nossa história.

Atmospheric Spirits (for Nuruddin Farah)

In my hometown, the dead
Still exact revenge
From the grave.
The receptacles of the dead

Are the living dead
Who already straddle
Two worlds.
Do the parched remains of a scuttled idea

Refurbish a tale mangled by time
And reduced to ashes?

Let cinders tell our story.





Warscapes – A arte e a guerra

14 11 2011

Uma nova revista eletrônica promete [e já cumpre] muita coisa legal para quem se interessa pelo tema da guerra – tão ligado à África no último meio século. O trecho abaixo é nossa tradução do editorial da revista, que pode ser acessada em http://www.warscapes.com

Warscapes é uma revista online independente centrada nos conflitos atuais em todo o mundo.

Warscapes publica ficção, não-ficção, poesia, entrevistas, resenhas de livro e filmes, ensaios fotográficos e retrospectivas da literatura de guerra dos últimos cinquenta anos.

Warscapes é motivada pela necessidade de ir além do vazio da cultura dominante no que se refere à representação de pessoas e lugares vitimados pela violência da guerra, bem como pela missão de divulgar a literatura que produzem.

Além de apresentar grandes escritos de zonas dilaceradas pela guerra, a revista é uma ferramenta para a compreensão de crises políticas complexas em várias regiões e serve como uma alternativa à parcialidade vigente nas representações dessas questões.





Aires Almeida Santos – Meu Amor da Rua Onze

18 07 2011

Imbondeiro at sunset

[Imbondeiro, árvore símbolo de Angola; foto de Miguel Costa]

Aires Almeida Santos nasceu em Bié,  Angola, em 1921, falecendo em 1992 na cidade de Benguela. Recebeu instrução primária em Benguela e secundária em Nova Lisboa e Sá de Bandeira. Esteve preso por atividades ligadas ao MPLA. Fixou-se em Luanda em 1961, trabalhando como contador de algumas empresas. Em 1970 ingressou no jornalismo. Foi co-fundador da União dos Escritores Angolanos – UEA.  Sua obra poética é constituída de dois únicos livros:  Meu Amor da Rua Onze (Lisboa: Edições 70, 1987) e  A Casa (Lubango: edição do autor, 1987). Seu poema mais conhecido, publicado pela primeira vez em Mákua – Antologia Poética, vol 3 (Sá da Bandeira: Publicações Imbondeiro, 1963), é justamente o que dá título ao seu primeiro livro. Meu Amor da Rua Onze não é, como muito da produção poética do período, nenhuma peça de vanguarda; tampouco pertence ao rol dos textos angolanos que buscavam, de alguma forma, denunciar o colonialismo ou tratar das injustiças do regime. É um poema de amor, simples e nostálgico, mas que tem como principal característica a musicalidade. Pois foi justamente este o elemento que motivou este post. Em uma busca aleatória por poemas musicados na web, deparei-me com esta versão em ritmo de semba feita pelos angolanos da Banda Maravilha. O vídeo contém legendas com a letra em Português e Inglês.

Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos nos roubámos
Tantos abraços nós demos.
Meu amor da Rua Onze,

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.
Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu´inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou
Nosso romance
Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer
E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
de escultura
Cor de bronze
Meu amor da Rua Onze.





Curso: o século XXI nas Literaturas Africana e Brasileira

10 07 2011

 A Universidade Católica de Petrópolis (RJ) oferece, de 14 a 28 de julho, o curso de férias “Expressões Contemporâneas: o século XXI nas Literaturas Africana e Brasileira”. Ao final das aulas, o aluno receberá um certificado de participação. Os professores Patrícia Camargo, mestre em Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e doutoranda em Literaturas Africanas pela UFRJ, e Leonardo Barros Medeiros, mestrando em Letras Vernáculas pela UFRJ, são os ministrantes. Serão cinco aulas, todas às terças e quintas, das 19h às 21h. O investimento é de R$ 20 para o público externo e R$ 15 para alunos e ex-alunos da UCP.

FonteUCP oferece cursos de atualização para o mercado de trabalho | Diário de Petrópolis.





Colóquio Internacional sobre a recepção e a crítica das Literaturas Africanas em Língua Portuguesa

9 07 2011

Organizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, começa na quinta, 14/julho/2011, o Colóquio Internacional sobre a recepção e a crítica das Literaturas Africanas em Língua Portuguesa. Além dos inúmeros nomes da literatura contemporânea presentes, teremos entre os convidados acadêmicos a profª da UFSC Simone Pereira Schmidt. Clique no cartaz para ver a programação completa.





Roland Hayes – Canções Folk Afro-Americanas

30 06 2011

Após 12 anos de convivência com universitários africanos em Paris e Londres, oriundos principalmente da Costa Oeste africana, o americano Roland Hayes (1887-1977) utilizou seu gosto pela música folk e seu desejo de compartilhar algumas das canções que sonorizaram sua vida e principalmente sua infância e que, graças aos amigos africanos que fez na Europa, resgatou dos baús da memória.
O material que coletou foi compilado e arranjado por ele mesmo no livro “My Songs; Aframerican Religious Folk Songs Arranged and Interpreted“, publicado em 1948 pela Little, Brown and Company (que desde 2006 pertence à editora francesa Hachette Livre). Como os direitos autorais da publicação original não foram renovados, os 3 volumes podem ser baixados gratuitamente no Art Song Central, um portal especializado em partituras gratuitas de músicas para grupos vocais.
O livro está dividido em 3 painéis:

  1. Eventos do Antigo Testamento [1,77 Mb]
  2. Abstrações de Ensinamentos do Antigo e Novo Testamentos [1,82 Mb]
  3. A vida de Cristo [1,95 Mb]

Basta clicar nos links para baixar o arquivo em formato PDF.

Fonte: http://artsongcentral.com/2008/my-songs-by-roland-hayes/








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