Pedro Rosa Mendes – Baía dos Tigres

18 01 2010

Um post para desengavetar um velho texto.

Os cegos: vêem algo?
— Uma cara de mulher, lisa à perspectiva das mãos.
— O cheiro molhado da chuva que se aprendeu de ouvido.
— Lembro muito um carro azul, não era meu, uma bicicleta que era, uma casa.
— O caminho para casa.
— Tinha um rádio de plástico e um pente vermelho.
— O mato calmo e de repente o fogo a saltar-me dos pés. O incêndio da bomba correndo em mim, sim.
— Estou mesmo numa vida escura. Desculpe, mas nada.
— A paz é a nossa recompensa.
O perdão, o prêmio do líder que os mandou combater.
— Deixei de o ver quando perdi os olhos. Agora acompanho-lhe a voz. Não consigo fazer uma frase da cara dele, mas uma palavra sim: forte, alto. Não é?

O dia é 22 de setembro de 2008. Acabo de chegar em casa e vejo que os Correios me entregaram o Baía dos Tigres, livro do português Pedro Rosa Mendes que há muito queria ler. Quando comecei, entendi rapidamente que o desejo não era gratuito. Livro digestivo, apesar das mais de 400 páginas, desses que a gente devora numa sentada. Quisera eu escrever algumas notas já assim, minutos depois de o ter em mãos, mas minha sentada durou até a página 57. Um pedaço da página, embaixo, estava arrancado, de tal forma que o conteúdo ali estava perdido. Liguei para o sebo e eles me devolveram o dinheiro no outro dia, deixando-me ficar com o livro. Segui a leitura. Valeu a pena. O escritor angolano José Eduardo Agualusa, com palavras melhores que as minhas, fez o trabalho de nos apresentar a obra:

Em 1977, Pedro Rosa Mendes propôs-se realizar uma viagem impossível: a travessia do continente africano, por terra, “De Angola à Contracosta”. Tratava-se pois de cumprir o famosíssimo trajecto de Capello e Ivens, um século depois, muitas guerras depois, através de estradas já mortas e campos semeados de minas. Este livro não se resume ao relato dessa aventura. Ele constrói-se a partir das histórias, narradas na primeira pessoa, dos extraordinários personagens que Pedro Rosa Mendes descobriu. Heróis anónimos, habitantes dos limites da vida, a também monstros, estranhos monstros, reiventando o horror no seu vasto território de sombras. Portugal precisava de um livro como este. Um livro capaz de justificar todo um passado comum de errância pelo mundo e de renovar a chamada literatura de viagens. Neste caso, grande literatura.

A jornada que empreendemos com a Baía de Rosa Mendes vale mesmo a pequena frustração de perder um pedaço de página, de texto, da própria viagem, como se cochilássemos naquele trajeto do qual, como tantos outros da estrada toda, nos diriam: lindo, perdeste.

Foi no dia 22 de setembro de 2008.




Ricardo Adolfo – Um bife com batatas, arroz e pão

18 01 2010

Querer, querer, queria ser vagabundo. Era sempre isso que pensava quando era pequeno. Não queria ser bombeiro, piloto, cientista, jogador da bola, pescador nem marinheiro. Não, queria ser vagabundo e isso parecia-me fascinante. No entanto, nunca o confessei.

Ricardo Adolfo nasceu em Luanda em 1974. Cresceu nos arredores de Lisboa, licenciou-se em Marketing e Publicidade e vive em Amsterdã. Publicou:

  • Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas (2009;  Objectiva)
  • La Peluquera De Lisboa (2008;  SUMA)
  • Mizé (2006; Dom Quixote)
  • Os Chouriços são Todos para Assar (2003; Dom Quixote)

O texto acima é um excerto do belíssimo conto “Um bife com batatas, arroz e pão“, de seu primeiro livro, Os Chouriços são Todos para Assar. Uma das minhas mais gratas descobertas de 2009.

Os Chouriços são Todos para Assar





“O homem que não tira o palito da boca” é o novo livro de contos do angolano João Melo

14 11 2009

“O homem que não tira o palito da boca” é o novo livro de contos do jornalista e escritor angolano João Melo, que deverá chegar às livrarias a partir de 10 de novembro.

Além de Portugal, onde João Melo é editado pela Caminho, do grupo Leya, “O homem que não tira o palito da boca” será editado também em Angola e Moçambique, pelas editoras Nzila e Ndjira, respectivamente.

Em Lisboa, o lançamento do novo livro do autor está anunciado para dia 24 de novembro.

Fonte: África21





Fanta Konatê e Troupe Djembedon (Guiné) na programação do Festival de Música Contemporânea Aliança Francesa

14 11 2009

O Festival de Música Contemporânea promovido pela Aliança Francesa de Florianópolis conta com uma programação bastante diversificada. No dia 12 ocorreu a apresentação do  espetáculo de percussão e dança africana de Fanta Konatê e Troupe Djembedon.O grupo atualiza, informa e promove a reflexão sobre os aspectos mais positivos da diáspora africana. Conduzido por contextos de danças coletivas, os artistas convidam o público a uma vivência de reconhecimento da Guiné no Brasil.

Confira a programação completa no site.

O grupo se apresentará novamente na programação do II  Diálogos Brasil África – Semana da Consciência Negra, que ocorrerá em Florianópolis, entre os dias 16 e 20 de novembro.





Agualusa será condecorado por Lula

20 10 2009

O sítio Club-k.net, um clube virtual de angolanos residentes no exterior, informou ontem que o presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, vai condecorar no próximo mês de novembro o escritor angolano José Eduardo Agualusa com a Ordem do Mérito Cultural. Um assessor do Ministro da Cultura brasileira, Juca Ferreira, é a pessoa que informou ao escritor a respeito da honraria.





Palestras do prof. George Elliott Clarke (University of Toronto)

15 10 2009

Programação da visita do Prof. George Elliott Clarke da University of Toronto, com apoio do governo canadense em parceria com a Pós-Graduação em Letras-Inglês e Literatura Correspondente:

Dia 21 de outubro:
Palestra: “Approaches to African-Canadian Literature”
Hora: 14:30
Local: Sala Machado de Assis, CCE B. UFSC, Florianópolis-SC

Dias 21, 22 e 23 de outubro:
Curso: “Poetics and other discourses of resistance: African-Canadian literature”
Hora: 14:00 às 18:00 (Obs.: no dia 21, o curso inicia às 16:00, após a palestra).
Local: sala 311, CCE B. UFSC, Florianópolis-SC

Dados sobre o Prof. Clarke no site http://www.athabascau.ca/writers/geclarke.html