[evento] A literatura para infância em Moçambique

O 8° Seminário de Literatura Infantil e Juvenil (VIII SLIJ) e IV Seminário Internacional de Literatura Infantil e Juvenil e Práticas de Mediação Literária (IV SELIPRAM): (R)es(x)istências Literárias na Contemporaneidade acontecerá na Universidade Federal de Santa Catarina, no campus da Trindade, Florianópolis, no período de 05 a 08 de novembro de 2019, congregando pesquisadores envolvidos com o estudo da leitura, das práticas educativas construídas em diálogo com a literatura infantil e juvenil e formação do leitor literário.

SLIJ_cartaz_nova_identidade

Como parte das atrações do evento, a mesa-redonda “A literatura para infância em Moçambique” contará com a presença dos escritores moçambicanos Mauro Brito, Celso C. Cossa e Pedro Pereira Lopes.

Além disso, haverá o lançamento de “O luminoso voo das palavras“, do Mauro Brito, em maravilhosa edição manual da Katarina Kartonera, que há alguns meses completou seu primeiro decênio der atividades, em parceria com o grupo de pesquisa Literalise [Grupo de Pesquisa sobre Literatura Infantil e Juvenil, Centro de Ciências da Educação, UFSC]. Aliás, não é a primeira obra de um moçambicano que a Katarina Kartonera deu à luz. Nunes Zarel•leci (Maputo, 1970) foi o pioneiro com os poemas de seu “Sinapse” (2015).

Data: 5 de novembro, uma terça
Horário: 16:00 às 18:00
Local: Auditório do CCE [Centro de Comunicação e Expressão], Universidade Federal de Santa Catarina.

Entrada franca.

José Craveirinha – Um homem não chora

Um homem não chora
Acreditava naquela historia
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!

wikiday: Independência da República Centro-Africana (13 de agosto)

Nossos parabéns ao povo centro-africano, que embora esteja hoje comemorando o 54º aniversário de sua independência, vive momentos terríveis por conta de uma guerra civil. Genocídios, disputas étnicas, massacres, enfim, são dias terríveis por lá.

Central African Republic

 

Redatores aliviados :-)

Com muita satisfação comunicamos que eu e a Jane, redatores deste blog, defendemos nossas dissertações de mestrado no início do mês passado, conforme informações abaixo. Assim, creio que teremos a partir de agora um pouco mais de tempo para atualizar com frequência o Africopoética, que andava meio às traças. Pelo menos até o doutorado…

Mestrando: Sandro H. Brincher
Título da dissertação: “Pura mistura: alteridentidades calibanescas em O Outro Pé da Sereia, de Mia Couto
Orientadora: Profª. Drª. Simone Pereira Schmidt
Data: 10/05/2013

Mestranda: Jane Vieira da Rocha
Título da dissertação: “As margens da experiência: os miúdos e os mais-velhos na narrativa de Ondjaki
Orientadora: Profª. Drª. Simone Pereira Schmidt
Data: 17/05/2013

comemorando!

Não é só kuduro: “Death Metal Angola” [documentário]

Musicalmente, tudo que Angola parece nos oferecer, aparentemente, é o kuduro. Ao menos é esse o cenário pintado pela mídia internacional nos últimos anos. Quem conhece a música angolana sabe que há muita estrela nessa constelação. Já faz um par de anos que o rap angolano, por exemplo, vem ganhando alguma projeção. Masta, NGA, Mister K, Cage 1 e Abdiel são nomes que já ecoaram em terras brasileiras com alguma frequência. O Buraka Som Sistema [formado por portugueses e angolanos], cuja sonoridade eles mesmos apelidaram de “kuduro progressivo”, flerta com o dub, o ragga e o próprio hip-hop, dando uma cara mais “universal” ao frenético ritmo eletrônico angolano. É certo que o BSS já disfruta do que se pode chamar de fama depois de sua passagem pelo Rock in Rio 2011 e Abril Pro Rock 2012.

Entretanto, como em qualquer outro país onde são escassos os recursos a grandes estúdios de gravação, a instrumentos musicais acessíveis e a meios de divulgação nos canais convencionais, há uma comunidade que, através da colaboração mútua, do faça-você-mesmo e do desejo de se expressar através da música, mantém acesa a chama. Hardcore, metal, rock e todas as subdivisões desses gêneros: há tudo isso em Angola, e é disso que trata “Death Metal Angola“, documentário de Jeremy Xido sobre a cena underground do rock angolano.
O filme estreou em dezembro no Dubai International Film Festival e será exibido no Rotterdam Film Festival nos dias 28 e 29 de janeiro. Esperemos que logo possamos vê-lo nas telonas por aqui também. Abaixo disponibilizamos o trailer oficial e uma playlist com a trilha sonora oficial.

 

Michel Leiris – A África fantasma [excerto]

Uma daquelas leituras que valem cada uma das 688 páginas. Lançado no Brasil pela Cosac Naify em 2007 com Tradução de André Pinto Pacheco e introdução de Fernanda Arêas Peixoto.

10 DE MARÇO

Forte tornado durante todo o fim da noite. Torrentes de água, que pela manhã tornam-se escarros. Eu me acostumo à vila, encontro até algum atrativo em arrumar um armário embutido, que me permite não deixar nada largado. Sempre amei a ordem. Esta, de resto, é uma daz razões por que me agrada o que se convencionou chamar “selvageria”. Penso nas panóplias tão corretas dos Somba; nos belos celeiros dos Kirdi de Mora, rodeados por uma cerca; nas cabanas tão lustrosas dos Mundang. Admirável nitidez das pessoas nuas. Absoluta correção de porte, perto do qual tudo que está vestido parece troca-tintas ou vagabundo. Que bagunça horrível, nossas civilizações.

“Híbrido de etnografia e literatura, A África fantasma ficou mesmo conhecido por seu tom marcadamente confessional. Entre 1931 e 1933, ao exercer a função de “secretário-arquivista” da Missão Etnográfica e Linguística de Dacar a Djibuti que atravessou a África do Atlântico ao Mar Vermelho, Michel Leiris [1901-1990] registrou diariamente o cotidiano de uma equipe interdisciplinar liderada pelo antropólogo Marcel Griaule. Entraves diplomáticos, rituais funerários, furtos de objetos sagrados, sacrifícios, sonhos, erotismo e até o esboço de uma ficção fazem parte deste livro monumental, ponto de inflexão na obra de Leiris rumo a uma prosa autobiográfica”. [da contracapa do livro]

moradia dos Somba