José Craveirinha – Um homem não chora

6 12 2015

Um homem não chora
Acreditava naquela historia
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!





wikiday: Independência da República Centro-Africana (13 de agosto)

13 08 2014

Nossos parabéns ao povo centro-africano, que embora esteja hoje comemorando o 54º aniversário de sua independência, vive momentos terríveis por conta de uma guerra civil. Genocídios, disputas étnicas, massacres, enfim, são dias terríveis por lá.

Central African Republic

 





Redatores aliviados :-)

9 06 2013

Com muita satisfação comunicamos que eu e a Jane, redatores deste blog, defendemos nossas dissertações de mestrado no início do mês passado, conforme informações abaixo. Assim, creio que teremos a partir de agora um pouco mais de tempo para atualizar com frequência o Africopoética, que andava meio às traças. Pelo menos até o doutorado…

Mestrando: Sandro H. Brincher
Título da dissertação: “Pura mistura: alteridentidades calibanescas em O Outro Pé da Sereia, de Mia Couto
Orientadora: Profª. Drª. Simone Pereira Schmidt
Data: 10/05/2013

Mestranda: Jane Vieira da Rocha
Título da dissertação: “As margens da experiência: os miúdos e os mais-velhos na narrativa de Ondjaki
Orientadora: Profª. Drª. Simone Pereira Schmidt
Data: 17/05/2013

comemorando!





Não é só kuduro: “Death Metal Angola” [documentário]

27 01 2013

Musicalmente, tudo que Angola parece nos oferecer, aparentemente, é o kuduro. Ao menos é esse o cenário pintado pela mídia internacional nos últimos anos. Quem conhece a música angolana sabe que há muita estrela nessa constelação. Já faz um par de anos que o rap angolano, por exemplo, vem ganhando alguma projeção. Masta, NGA, Mister K, Cage 1 e Abdiel são nomes que já ecoaram em terras brasileiras com alguma frequência. O Buraka Som Sistema [formado por portugueses e angolanos], cuja sonoridade eles mesmos apelidaram de “kuduro progressivo”, flerta com o dub, o ragga e o próprio hip-hop, dando uma cara mais “universal” ao frenético ritmo eletrônico angolano. É certo que o BSS já disfruta do que se pode chamar de fama depois de sua passagem pelo Rock in Rio 2011 e Abril Pro Rock 2012.

Entretanto, como em qualquer outro país onde são escassos os recursos a grandes estúdios de gravação, a instrumentos musicais acessíveis e a meios de divulgação nos canais convencionais, há uma comunidade que, através da colaboração mútua, do faça-você-mesmo e do desejo de se expressar através da música, mantém acesa a chama. Hardcore, metal, rock e todas as subdivisões desses gêneros: há tudo isso em Angola, e é disso que trata “Death Metal Angola“, documentário de Jeremy Xido sobre a cena underground do rock angolano.
O filme estreou em dezembro no Dubai International Film Festival e será exibido no Rotterdam Film Festival nos dias 28 e 29 de janeiro. Esperemos que logo possamos vê-lo nas telonas por aqui também. Abaixo disponibilizamos o trailer oficial e uma playlist com a trilha sonora oficial.

 





Michel Leiris – A África fantasma [excerto]

25 01 2013

Uma daquelas leituras que valem cada uma das 688 páginas. Lançado no Brasil pela Cosac Naify em 2007 com Tradução de André Pinto Pacheco e introdução de Fernanda Arêas Peixoto.

10 DE MARÇO

Forte tornado durante todo o fim da noite. Torrentes de água, que pela manhã tornam-se escarros. Eu me acostumo à vila, encontro até algum atrativo em arrumar um armário embutido, que me permite não deixar nada largado. Sempre amei a ordem. Esta, de resto, é uma daz razões por que me agrada o que se convencionou chamar “selvageria”. Penso nas panóplias tão corretas dos Somba; nos belos celeiros dos Kirdi de Mora, rodeados por uma cerca; nas cabanas tão lustrosas dos Mundang. Admirável nitidez das pessoas nuas. Absoluta correção de porte, perto do qual tudo que está vestido parece troca-tintas ou vagabundo. Que bagunça horrível, nossas civilizações.

“Híbrido de etnografia e literatura, A África fantasma ficou mesmo conhecido por seu tom marcadamente confessional. Entre 1931 e 1933, ao exercer a função de “secretário-arquivista” da Missão Etnográfica e Linguística de Dacar a Djibuti que atravessou a África do Atlântico ao Mar Vermelho, Michel Leiris [1901-1990] registrou diariamente o cotidiano de uma equipe interdisciplinar liderada pelo antropólogo Marcel Griaule. Entraves diplomáticos, rituais funerários, furtos de objetos sagrados, sacrifícios, sonhos, erotismo e até o esboço de uma ficção fazem parte deste livro monumental, ponto de inflexão na obra de Leiris rumo a uma prosa autobiográfica”. [da contracapa do livro]

moradia dos Somba





Os números de 2012

31 12 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 4.600 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 8 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo





11 anos sem Léopold Sédar Senghor

20 12 2012

Hoje completam-se 11 anos do falecimento de Léopold Sédar Senghor, que junto com Aimé Césaire foi o grande ideólogo da Negritude [corrente literária que agregou escritores negros francófonos e também uma ideologia de valorização da cultura negra em países africanos ou com populações afro-descendentes expressivas que foram vítimas da opressão colonialista]. De pai católico e mãe muçulmana, ele nasceu no Senegal em 9 de outubro de 1906 e faleceu em Verson, na França, em 20 de dezembro de 2001. Também foi o primeiro presidente eleito daquele país, exercendo sucessivos mandatos de 1960 a 1980.